Maurício - A história que não está no gibi

Ideias mudam o mundo...

Poucos chavões são tão verdadeiros e inspiradores. Não mudei o mundo nenhuma vez. Mas, à minha maneira, acho que o melhorei um pouquinho ao gerar bons momentos, diversão e entretenimento para milhões de brasileirinhos.

Raros são os autores, no Brasil e no exterior, que podem dizer que foram lidos com o mesmo prazer por avós, filhos e netos. Ou que carregam na bagagem a honra e o privilégio de saber que suas criações, com gibis ou livrinhos agindo como cartilhas informais, ensinaram pelo menos três ou quatro gerações a ler – disparado, meu maior orgulho.

Em última instância, sou um sobrevivente, um homem que começou do nada, realizou seu sonho e não quer desistir dele de jeito nenhum.

Enquanto eu estiver por aqui, saiba que foi você quem sempre alimentou meus sonhos. Depois que eu partir, não se esqueça de que ideias, e também sonhos improváveis, é que movem o mundo. De um jeito ou de outro, sempre estarei com vocês.

Maurício

Com mais de 80 anos de vida e quase 60 de carreira, Mauricio de Sousa tem uma história tão fascinante quanto os personagens da Turma da Mônica, que seguem encantando gerações de leitores.

A paixão pelos quadrinhos começou ainda criança, no interior de São Paulo. Foi com alguns gibis encontrados no lixo que aprendeu a ler e a sonhar.

A vida não era fácil e Mauricio desde cedo precisou trabalhar para ajudar em casa. Encarou os mais diversos empregos – de datilógrafo a repórter policial – até resolver se dedicar totalmente aos desenhos e acreditar, contra tudo e todos, que poderia tirar seu sustento daquilo que mais amava fazer.

O esforço valeu a pena. Suas criações ganharam o Brasil e boa parte do mundo, abrindo portas e lhe rendendo prêmios. A Mauricio de Sousa Produções já vendeu mais de 1 bilhão de gibis, criou quase 400 personagens e tem mais de 3 mil produtos licenciados. E a Turma da Mônica é hoje uma das marcas mais fortes do país. Agora ele conta, com a mesma graça, inocência e alegria de suas revistinhas, todas as suas aventuras, travessuras e os planos nem tão infalíveis assim: a entrada na lista negra da imprensa em plena ditadura, os personagens que nunca foram publicados, a peça teatral que foi um asco e o momento em que quase foi à falência.

Também compartilha o processo de criação de uma revistinha, o que fez para transformar tantos sonhos em realidade e como, até hoje, continua se reinventando.